Receber a notícia de que o INSS negou seu auxílio-doença é desesperador. No Rio de Janeiro, esse é um dos benefícios mais negados pelo INSS — e um dos que mais tem solução com recurso bem fundamentado. O auxílio-doença, hoje chamado tecnicamente de auxílio por incapacidade temporária, protege o trabalhador que fica impossibilitado de trabalhar por doença ou acidente. Você está doente, sem conseguir trabalhar, e a única fonte de renda que poderia te sustentar durante o tratamento foi recusada. Mas a negativa do INSS não é o fim da linha. Existem caminhos concretos para reverter essa decisão — e muitos segurados conseguem.

Por que o INSS nega o auxílio-doença?

O auxílio-doença (oficialmente chamado de auxílio por incapacidade temporária desde 2019) exige três requisitos simultâneos: qualidade de segurado, carência de 12 contribuições e incapacidade para o trabalho comprovada por perícia. Se o INSS entende que qualquer um desses requisitos não foi cumprido, nega o pedido.

O problema é que, na prática, muitas negativas acontecem por falhas do próprio sistema — e não porque o segurado não tem direito.

Motivos mais comuns de indeferimento

Como recorrer: recurso ao CRPS

A primeira opção após a negativa é o recurso administrativo ao CRPS (Conselho de Recursos da Previdência Social). Pontos importantes:

O recurso administrativo é analisado por uma Junta de Recursos, formada por membros que não participaram da decisão original. A análise costuma levar de 30 a 90 dias, mas pode ultrapassar esse prazo.

Vantagem: é rápido e gratuito. Desvantagem: a taxa de reversão é limitada, porque a junta geralmente se baseia nos mesmos documentos que o perito já analisou.

Pedido de reconsideração vs. novo requerimento

Existe uma confusão comum entre essas duas opções:

Em muitos casos, fazer o recurso ao CRPS e, paralelamente, dar entrada em novo requerimento é a estratégia mais inteligente. Assim você não perde tempo enquanto o recurso tramita.

Ação judicial como último recurso

Se o recurso administrativo foi negado — ou se você prefere pular essa etapa (não é obrigatória) — a ação judicial é o caminho com maior taxa de sucesso para benefícios por incapacidade.

A grande maioria das ações judiciais de auxílio-doença resulta em decisão favorável ao segurado. O motivo é simples: a perícia judicial é mais completa do que a perícia administrativa do INSS, que muitas vezes dura poucos minutos.

Documentos essenciais para o recurso

Independente do caminho escolhido (recurso administrativo ou ação judicial), tenha em mãos:

Um detalhe que faz diferença: peça ao seu médico que escreva um relatório detalhado, não apenas um atestado de uma linha. O relatório deve explicar o diagnóstico, o histórico da doença, os tratamentos realizados, o prognóstico e, principalmente, por que você está incapaz de exercer sua atividade profissional.

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